A palavra “holismo” vem do grego “holos” que significa “todo”, “inteiro”, “completo”, e é usada para designar um modo de pensar, ou considerar a realidade, segundo a qual nada pode ser explicado pela mera ordenação ou disposição das partes, mas antes pelas relações que elas mantém entre si e com o próprio todo. As realidades poderiam ser entendidas em dois estágios: o primeiro seria o “todo” e esse, por sua vez, seria composto por partes distintas porém inter-relacionadas, apenas compreensíveis dentro do contexto do “todo”.

Em 1926 a palavra “holismo” foi empregada por Jan Christian Smuts em seu livro “Holism and Evolution” (Holismo e Evolução), porém com uma definição bem mais abrangente do que a empregada atualmente. Todavia, o pensamento holístico só alcançou força a partir da década de 80, quando passou a ser empregado para tentar explicar um novo paradigma que deveria ser empregado a fim de anular os diversos distúrbios causados pelo homem na natureza. Por isso, o holismo é frequentemente associado aos discursos ambientalistas.

O holismo, na verdade, surge da crise que abalou os alicerces da ciência e questiona o postulado de qualquer filosofia reducionista que, baseada na lógica do pensamento cartesiano-newtoniano, deixa de considerar as interações existentes entre tudo o que existe e as consequências de qualquer alteração nessas interações e que, segundo afirmam alguns, seriam as responsáveis pelo desequilíbrio enfrentado pelo mundo hoje (seja do ponto de vista social, econômico ou ambiental).

Com implicações profundas em quase todas as áreas do conhecimento, a filosofia holística vem provocando questionamentos principalmente nos campos da saúde onde as doenças começam a ser encaradas como uma manifestação localizada de um distúrbio no equilíbrio do indivíduo como um todo, não apenas de uma de suas partes.

Fontes
TERRICABRAS, J. M., et al. Diccionario de Filosofia, Tomo II (E-J).Editoral Arial S.A., Barcelona, 1994.


Visão Holística sobre o Ser Humano

O humanismo caracteriza-se pela visão do indivíduo, são ou enfermo , de modo integral, a chamada visão holística do homem.

A palavra holístico vem do grego (holon), que significa “o todo”, e expressa o movimento de superação da divisão da natureza em partes mecanicamente integradas, promovida ao excesso pela visão cartesiana de mundo.

A ciência contemporânea está dividida em duas vertentes, uma materialista que considera apenas as evidências mensuradas e palpáveis, também denominada física clássica, e outra espiritualista, onde são admitidos a utilização de termos como a “alma” e aspectos relacionados à física quântica.

A física moderna confirma uma das ideias básicas da humanidade, a de que todos os conceitos que utilizamos para descrever a natureza são limitados e não são características da realidade, como tendemos a acreditar, mas criações da mente.

Quando falamos em alma, significa que mesmo não conseguindo provar sua existência com uso de aparelhos ou similares, cada mente, ao formular seus pensamentos, consegue de alguma maneira identificar como sendo parte ou sua própria essência.

A utilização das expressões gregas soma e psique, designando o que chamamos de corpo e alma, foram pela primeira vez utilizadas por Anaxágoras (500-428 A.C.), que as considerou como partes distintas, introduzindo uma concepção dualista do ser humano. A concepção dualista foi referendada por Platão e predominou ao longo de quase dois milênios, sob a influência religiosa de Santo Tomás de Aquino e filosófica de René Descartes, o denominado pensamento cartesiano.

O corpo (soma) pode ser definido como aquela parte de nós que pode ser vista e tocada e à qual podemos ver ou tocar nas outras pessoas. A psique (alma), ou espírito ou, para alguns, a mente – seria a parte invisível e intangível, mas que sabemos que existe, através de nossos sentimentos, desejos, pensamentos, sonhos, etc.


A Visão Holística e a Psicanálise

A despeito de todas as críticas que possam ser feitas a Freud, indiscutivelmente, um de seus maiores méritos foi o de retirar de seus pacientes sofredores o rótulo de farsantes que vigorava no imaginário da medicina e da sociedade do século XIX.

Durante séculos, aqueles sujeitos que manifestavam suas dores e impossibilidades em sintomas físicos e/ou emocionais, onde não se encontrava nenhum substrato fisiológico, eram simplesmente tachados de histéricos, adjetivando toda uma dimensão pejorativa no termo.

Esses sujeitos eram incompreendidos e discriminados e, embora já estejamos no século XXI, essa discriminação ainda se faz sentir tanto no meio médico, como no social e até no familiar. Naturalmente, que hoje esta discriminação é menor, inclusive pelo acesso às informações, que hoje se torna possível pela mídia e, principalmente, pela internet. Fingimento, exagero, frescura, preguiça, falta de umas boas palmadas na infância, manipulação… entre outras tantas, são acusações frequentemente endereçadas aos pacientes que necessitam e buscam ajuda terapêutica.

Apesar de toda a difusão da psicanálise e de parte da psicologia que assim entende o ser humano, nos últimos séculos, mesmo com a leitura de um sujeito holístico, indivisível em sua mente/corpo, ainda persiste uma visão bastante segmentada do ser humano. Na medicina (não toda, felizmente!) vemos o sujeito sendo reduzido a um corpo, um órgão, como também vemos psicólogos esquecendo a dimensão física do sujeito ao desprezar a ajuda de uma medicação.

Freud foi um médico capaz de subjetivar o paciente que estava à sua frente, conseguindo ver não apenas um corpo doente, mas um ser humano. Quem lhe falava não era um braço paralisado, mas um ser humano com uma história, com emoções, conflitos que se faziam perceber de uma forma convertida em sintomas: com paralisias, cegueiras, delírios, dores, fobias, pânicos, anorexias e tantas outras formas de manifestação. Essa forma de expressão ganha diferentes nomenclaturas, ou rótulos, conforme o tempo ou o lugar de onde vem o discurso. Freud falava em neurose de angústia, histeria de conversão, hoje escutamos falar de agorafobia ou síndrome do pânico.

 

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