Uma nova pesquisa reforça a ideia de que a orientação sexual pode determinar outras questões de saúde. Cientistas da Universidade de Boston, EUA, afirmam que o câncer e a qualidade de vida após o tratamento da doença são influenciados pelo fato da pessoa ser gay ou hétero.
Descobriu-se que os homens homossexuais têm 1,9 vezes mais chances do que os heterossexuais de ter tido câncer. Os pesquisadores também descobriram que mulheres lésbicas e bissexuais são duas vezes mais propensas que as mulheres héteros a apresentarem saúde ruim ou muito ruim após a cura da doença.

No entanto, os resultados não significam necessariamente que ser gay, lésbica ou bissexual aumenta o risco de câncer, alerta a líder do estudo, Ulrike Boehmer, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Boston.

“Para quem trabalha diretamente com pessoas em recuperação de câncer, esses resultados são importantes porque indicam que diferentes ações devem ser tomadas no atendimento a pacientes do sexo masculino e feminino”, diz.

“Por exemplo, agora sabemos que os profissionais de saúde daqui para frente devem ser melhor aconselhados a avaliar cuidadosamente suas pacientes lésbicas e bissexuais”, afirma.

O novo estudo foi feito com base em dados de saúde da década de 2000. As 7.252 mulheres e os 3.690 homens haviam sido diagnosticados com câncer quando adultos.

Os investigadores não encontraram uma diferença no número de casos de câncer entre lésbicas e mulheres heterossexuais, mas eles descobriram que os homens homossexuais tinham quase duas vezes mais probabilidade de ter tido câncer do que os héteros.

Por outro lado, as mulheres lésbicas e bissexuais eram de 2 a 2,3 vezes mais propensas a apresentar um estado de saúde “ruim” ou “muito ruim” após sobreviver ao câncer do que mulheres heterossexuais. No entanto, não houve diferença desse tipo na comparação entre as opções sexuais dos homens.

Embora o estudo não tenha analisado as causas para estes resultados, há uma série de explicações possíveis, de acordo com Boehmer.

Os homens homossexuais, por exemplo, são mais propensos a serem HIV positivo. E quem é portador do vírus da Aids, possui um risco mais elevado para câncer anal, de pulmão, de testículo e linfoma de Hodgkin.

Outra possível razão é que a porcentagem de fumantes, significativamente mais elevada entre os homossexuais, ressalta Ronit Elk, Diretor de Controle e Prevenção do Câncer da Sociedade Americana de Câncer, que não esteve envolvido no estudo.

“Há toda uma série de variáveis, mas sabemos que a taxa de tabagismo é enorme”, assegura. Fumar aumenta o risco de uma série de cânceres, incluindo o de pulmão e de garganta.

De fato, um estudo publicado em 2009 na revista especializada Controle do Tabaco mostrou que 37% das mulheres homossexuais e 33% dos homens homossexuais são fumantes, comparados com 18% das mulheres héteros e 24% dos homens.

Porém, além dessas estatísticas, Boehmer alerta que mais estudos ainda são necessários para verificar se um número maior de homens gays efetivamente recebem diagnósticos de câncer do que de homens heterossexuais, ou se os gays simplesmente sobrevivem mais à doença do que os héteros.

Quanto à pior qualidade de vida relatadas por lésbicas e bissexuais sobreviventes de câncer, o “estresse das minorias” poderia ser o grande fator envolvido, segundo Boehmer.

O “estresse das minorias” sugere que as pessoas em um grupo minoritário – incluindo as mulheres que são lésbicas ou bissexuais – sofrem discriminação ou violência, o que pode afetar negativamente sua saúde psicológica. No entanto, não foram verificados indícios de “estresse das minorias” entre os homens gays.

“Não é que as mulheres lésbicas ou bissexuais sejam mais deprimidas do que as heterossexuais”, diz Linda Ellis, Diretora Executiva da Iniciativa de Saúde Lésbica em Atlanta, Geórgia, EUA, entidade que não esteve envolvida no estudo. “Porém, sair do armário para cada nova pessoa, desde a nova enfermeira da clínica de químio até os membros do grupo de apoio ao câncer demanda uma energia que pacientes em recuperação de câncer muitas vezes não tem”, explica.

Além disso, não é incomum que lésbicas ou mulheres bi tenham rompido relações com a família, o que enfraquece o grupo natural de apoio em horas difíceis como uma doença grave como o câncer.

Fonte : LiveScience

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