Há  poucos dias, o jornalista Moisés de Freitas virou hit nas redes sociais  com um texto que critica a visão da ciência tradicional, que encara o  homem como um animal humano, sem espírito.

Agora foi a vez de um médico britânico sugerir que ler Shakespeare  pode ajudar os médicos a entenderem melhor a conexão entre a mente e o  corpo.
O estudo, publicado no periódico científico Medical Humanities,  destaca que Shakespeare foi um mestre na descrição do fundo emocional  dos sintomas físicos de seus personagens, o que pode ajudar os médicos  atuais.

“Eles poderiam aprender a ser médicos melhores estudando Shakespeare.  Isto é importante porque os chamados sintomas funcionais são a  principal causa de consultas aos clínicos gerais e dos encaminhamentos a  especialistas,” afirma o Dr. Kenneth Heaton.

O Dr. Heaton, que é médico, mas também profundamente versado em  literatura, estudou não apenas toda a obra de Shakespeare, como também o  trabalho de 46 outros autores da mesma época.

“A percepção de Shakespeare de que o torpor e as sensações intensas  podem ter uma origem psicológica parece não ter sido compartilhada por  seus contemporâneos, nenhum dos quais incluiu estes fenômenos nos  trabalhos examinados”, escreveu o Dr. Heaton.

Ele conclui que Shakespeare foi um entendedor excepcional da ligação  corpo mente, o que pode ajudar os médicos se lembrarem que os sintomas  físicos podem ter causas psicológicas.

“Muitos médicos relutam em explicar os sintomas físicos por  distúrbios emocionais, e isso resulta em diagnósticos tardios, exames em  excesso e tratamentos inadequados,” afirma.

Ao contrário de seus contemporâneos, Shakespeare foi um mestre em vincular os sintomas físicos com os problemas emocionais. Vertigem  e tontura são observadas em cinco personagens em “A Megera Domada”,  “Romeu e Julieta”, “Henrique VI”, “Cimbelino”, e “Troilo e Créssida”.

Há onze episódios de falta de ar associada com emoções extremas em  “Os dois cavalheiros de Verona”, “O estupro de Lucrécia”, “Vênus and  Adônis” e “Troilo e Créssida”.

Fadiga e cansaço como resultado de mágoa ou angústia aparecem em  “Hamlet”, “O Mercador de Veneza”, “Do jeito que você gosta”, “Ricardo  II” e “Henrique IV”.

Distúrbios de audição em períodos emoções intensas aparecem em “Rei Lear”, “Ricardo II” e “Vida e morte do Rei João”.

Fonte : Diário da Saúde

Categorias: Psicologia

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