Pensamento e diálogo

O neoliberalismo insiste em que devemos deixar de pensar. Devemos redizer nossas palavras e submeter o pensamento ao pragmatismo tão em moda. Ou ao realismo cético de quem se dobra ao pensamento único, delegando ao sistema o direito de pensar.

Quem acata tão impensada sugestão afasta-se de Platão, que fazia do ato de pensar uma forma de dialogar. Quem se deixa dominar pelo medo de pensar evita as contradições e opiniões divergentes. Neste caso, assimila o pensamento de quem o proíbe de pensar e se alheia da busca da verdade, confundindo esta com a autoridade.

Toda verdade humana é relativa, e o nosso juízo crítico deve sempre persegui-la, peneirando-a na dúvida. Quem pensa, vê além das aparências. Mas as aparências seduzem a ciência. Por isso, esta tende a rejeitar sua irmã gêmea, a filosofia. Destituída de pressupostos filosóficos, a parafernália tecnocientífica foge da ética como o diabo da cruz.

O sistema, entretanto, insiste: demita-se do seu pensar. Atrofie a sua imaginação política. Não queira modificar a realidade. Eu reajo: quero ser livre! Ele me responde: liberdade não é pensar, é desfrutar. Não perca tempo sendo voz discordante ou fazendo eco às opiniões divergentes. Não vê que a filosofia e a ética foram banidas das escolas?

A minha sina, porém, é pensar. Tornar possível o desejável – desbancar a hegemonia dos valores econômicos, livrar a cultura da condição de refém do mero entretenimento, reduzir significativamente a exclusão social.

Penso, logo resisto. E acho graça nos arautos do fim das ideologias. Não ignoro minhas ignorâncias. Por isso, dilato a minha fome de conhecimento. Exerço a minha atividade crítica. Desmascaro o consensual. Ponho em questão as ideias estabelecidas.

Frei Betto, autor de “Típicos Tipos – perfis literários”.


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